{"id":145,"date":"2020-12-31T11:48:17","date_gmt":"2020-12-31T14:48:17","guid":{"rendered":"http:\/\/larvatusprodeo.com.br\/?p=145"},"modified":"2020-12-31T11:48:19","modified_gmt":"2020-12-31T14:48:19","slug":"carta-para-as-mulheres-na-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/2020\/12\/31\/carta-para-as-mulheres-na-pandemia\/","title":{"rendered":"Carta para as mulheres na Pandemia"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Ana Laura Prates<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Publicado originalmente em https:\/\/jornalggn.com.br\/artigos\/carta-para-as-mulheres-na-pandemia-por-ana-laura-prates\/<\/p>\n\n\n\n<p>Caras mulheres na Pandemia,<\/p>\n\n\n\n<p>Os nomes aqui citados s\u00e3o \u2013 pela visibilidade que ganharam \u2013 s\u00edmbolos de outras mulheres invis\u00edveis que foram atacadas, caluniadas, violentadas, difamadas, agredidas, exploradas e abusadas, em 2020, durante a Pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Cara Menina de 10 anos estuprada cujo direito ao aborto legal foi judicializado. Caras Mirtes Renata Souza, Mariana Ferrer, Dani Calabresa, Isa Penna, Luiza Erundina, Manuela D\u2019Avila, Carol Solberg, Dilma Rousseff. Dizer que espero encontr\u00e1-las bem seria, no m\u00ednimo, de mau gosto. Ent\u00e3o, digo que espero encontr\u00e1-las vivas, em corpo, for\u00e7a e desejo. Muitas, entretanto, n\u00e3o est\u00e3o mais aqui para ler essa carta. Que estejamos, ent\u00e3o, \u00e0 altura das que se foram. Que esta carta tamb\u00e9m seja uma homenagem a elas. Em mem\u00f3ria, cara Senhora empregada dom\u00e9stica primeira vitima da COVID-19 no Rio de Janeiro ap\u00f3s ser contaminada pelos patr\u00f5es, caras Emily Victoria Silva dos Santos e Rebeca Beatriz Rodrigues dos Santos, cara Nicette Bruno, cara Viviane Viera.<\/p>\n\n\n\n<p>Mar\u00e7o de 2020 foi a data oficial da chegada da Pandemia da COVID-19 aqui no Brasil. Alguns meses depois j\u00e1 t\u00ednhamos percebido que ela n\u00e3o atingia a todos os cidad\u00e3os e cidad\u00e3s da mesma forma. O corona-v\u00edrus \u2013 essa entidade pouco conhecida e que n\u00e3o chega sequer a ser um ser vivo \u2013 pode at\u00e9 n\u00e3o ver cara nem cora\u00e7\u00e3o. Na verdade, ningu\u00e9m ainda sabe por que, parece que prefere caras mais enrugadas e cora\u00e7\u00f5es fragilizados pelo tempo. A Pandemia, entretanto, enquanto fen\u00f4meno de sa\u00fade coletiva n\u00e3o se restringe ao v\u00edrus. Ela envolve quest\u00f5es territoriais, econ\u00f4micas, pol\u00edticas e sociais. Ela inclui diferen\u00e7as de ra\u00e7a e g\u00eanero. Ela, de democr\u00e1tica n\u00e3o tem nada, escancarando desigualdades e criando vulnerabilidades que v\u00e3o muito al\u00e9m das condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e org\u00e2nicas individuais. Ela escolhe corpos que passar\u00e3o por essa experi\u00eancia de modos completamente diversos. Dentre eles o meu. Dentre eles o de voc\u00eas!<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, afinal, quem s\u00e3o voc\u00eas, ou melhor, quem somos n\u00f3s mulheres na Pandemia? N\u00f3s, que nos nomeamos mulheres. Mulher? O que \u00e9 uma mulher? Como Psicanalista sustento que n\u00e3o existe uma ess\u00eancia para responder a essa pergunta, muito menos uma ess\u00eancia biol\u00f3gica. E sabemos, desde Simone de Beauvoir, que ningu\u00e9m nasce mulher, torna-se mulher. Mas isso n\u00e3o impede que existam mulheres e que, em sua multiplicidade, elas possam fazer la\u00e7os e redes. As mulheres s\u00e3o m\u00faltiplas e \u00e9 imposs\u00edvel e nem sequer desej\u00e1vel formar uma totalidade ou for\u00e7ar uma unidade nessa multiplicidade. Para isso j\u00e1 existe o falo do lado de l\u00e1, formando conjuntos fechados e uniformes. Mulheres formam um tipo de conjunto disperso que mais parece uma constela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois bem, com o passar dos meses, como eu ia dizendo, fui percebendo que a Pandemia n\u00e3o atingia a todos e do mesmo modo e, al\u00e9m disso, ela atingia as mulheres \u2013 que s\u00e3o \u201cn\u00e3o-todas\u201d \u2013 de modo especial Os n\u00fameros s\u00e3o alarmantes: o aumento significativo de feminic\u00eddio, viol\u00eancia dom\u00e9stica e abusos sexuais, inclusive de vulner\u00e1veis (aumento de 40% das den\u00fancias segundo o F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica). A Pandemia comprovava a suspeita de que o lar \u2013 considerado o ambiente natural das mulheres por uma entidade decadente chamada tradicional fam\u00edlia burguesa \u2013 era, na verdade, o lugar mais perigoso para ficarmos. O bom conselho \u201cfica em casa!\u201d significava, paradoxalmente, risco de morte para muitas de n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, e n\u00e3o menos significativo e escandaloso do que essa constata\u00e7\u00e3o \u00e9 o fato de que somos n\u00f3s mulheres quem seguramos a onda para a tal da roda da economia girar. Somos n\u00f3s que tomamos conta das crian\u00e7as para que os homens saiam para trabalhar. E quando decidimos ou precisamos trabalhar tamb\u00e9m, deixamos nossos filhos com outras mulheres que, por sua vez, precisam da ajuda de outras mulheres num ciclo sem fim que inclui institui\u00e7\u00f5es especializadas como creches e escolas cujas cuidadoras e educadoras tamb\u00e9m s\u00e3o mulheres, em sua maioria (8 em cada 10 professores na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica s\u00e3o mulheres).<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e1rea da sa\u00fade, igualmente, somos n\u00f3s (metade das m\u00e9dicas e maioria absoluta de enfermeiras e auxiliares) a estar l\u00e1, na linha de frente, ou no pano de fundo limpando os hospitais. E mesmo que sejamos de classes sociais mais favorecidas, ainda assim, somos n\u00f3s que temos feito jornadas triplas e assumido o cuidado de nossas casas, filhos e, muitas vezes, pais e sogros. A carga mental \u00e9 uma no\u00e7\u00e3o que conhecemos intimamente, mas que apenas h\u00e1 alguns anos vem sendo estudada. Ela diz respeito a todo o planejamento que envolve a administra\u00e7\u00e3o de uma casa e da chamada vida familiar, bem como os cuidados e responsabilidades envolvendo os filhos. Pois bem, ela aumentou de modo t\u00e3o expressivo que, talvez pela primeira vez na vida tenhamos percebido claramente o quanto somos sobrecarregadas e porque vivemos estressadas, mesmo as privilegiadas da classe m\u00e9dia branca.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois bem, caras mulheres. Essa situa\u00e7\u00e3o toda me fez tomar uma iniciativa para que algumas de voc\u00eas tivessem voz e um lugar para falar de suas experi\u00eancias, para que outas mulheres pudessem se beneficiar com elas. Da\u00ed surgiu o projeto \u201cMulheres na Pandemia\u201d, para o qual convidei uma amiga jurista, a Margarete Pedroso que, com seu hist\u00f3rico de ativismo feminista, comp\u00f4s nosso sentimento de responsabilidade a partir de nossos privil\u00e9gios. &nbsp;Semana ap\u00f3s semana fomos convidando v\u00e1rias de voc\u00eas para falar sobre como estavam passando pela pandemia da COVID-19, e tamb\u00e9m sobre suas lutas cotidianas. No Brasil, quase 30 milh\u00f5es de fam\u00edlias s\u00e3o chefiadas por mulheres, embora elas sejam, em sua maioria, trabalhadoras informais. A Pandemia, bem como a necessidade da quarentena \u2013 ainda que parcial em nosso pa\u00eds \u2013 revelou uma rede de cuidados invis\u00edvel sustentada por n\u00f3s mulheres, sem a qual a sociedade n\u00e3o poderia funcionar do modo como estamos acostumados. Como podemos tornar mais vis\u00edvel essa rede, de modo que seja mais valorizada no mundo p\u00f3s-pandemia? Como nossas vozes silenciadas podem ser escutadas? Como nossos corpos, em sua especificidade, est\u00e3o vivendo esse momento? Como \u00e9 ser m\u00e3e, adolescente, amante, prostituta, durante a pandemia? Como mulheres idosas est\u00e3o lidando com essa situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Essas e outras quest\u00f5es foram debatidas com nossas convidadas. Come\u00e7amos em junho falando de sororidade e rede de apoio entre mulheres e terminamos, em dezembro, falando sobre esperan\u00e7a e resist\u00eancia.&nbsp; Foram 7 meses nos quais recebemos mulheres de todo o Brasil, das mais diversas condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, sociais, sexuais, raciais, etc. Aprendemos com as jovens militantes antifascistas porque, mesmo na Pandemia, \u00e0s vezes \u00e9 preciso colocar o corpo na rua. As mulheres artistas, trabalhadoras de uma \u00e1rea j\u00e1 profundamente atacada pelo atual governo tiveram que se reinventar rapidamente. As mulheres com defici\u00eancia transmitiram a sobreposi\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es vulnerabilizantes, quando machismo e capacitismo se retroalimentam. As mulheres pela inclus\u00e3o vieram para afirmar que precisamos mudar a escola para que nela caibam todas as crian\u00e7as, ao inv\u00e9s de mudar as crian\u00e7as com defici\u00eancia de escola. Debatemos o delicado tema da volta \u00e0s aulas que atinge de modo direto as mulheres, tanto do lado das fam\u00edlias, quando das trabalhadoras das escolas.<\/p>\n\n\n\n<p>Recebemos e nos emocionamos com a dignidade das mulheres ind\u00edgenas, popula\u00e7\u00e3o abandonada pelas pol\u00edticas p\u00fablicas, deixadas a ermo, sem barreira sanit\u00e1ria e cuidados m\u00ednimos, mas, ao mesmo tempo resgatando a ci\u00eancia ancentral e tradicional de seus povos e lutando com a determina\u00e7\u00e3o de seu ativismo decidido. A ocupa\u00e7\u00e3o mulheres pretas encheu nossas redes sociais de Gradas Kilombas, Angelas Davis, Virg\u00ednias Bicudos, Neusas Santos, Concei\u00e7\u00f5es Evaristos, L\u00e9ias Gonzales e Djamilas Ribeiros. As egressas do sistema penitenci\u00e1rio foram um tapa na cara da hipocrisia do sistema que criminaliza muitas m\u00e3es de fam\u00edlia e as pune de modo desumano por sua condi\u00e7\u00e3o social ou racial.<\/p>\n\n\n\n<p>Constatamos que os preconceitos relativos \u00e0s l\u00e9sbicas e bissexuais se recrudesceram na quarentena. Mulheres trans tamb\u00e9m compuseram nossa constela\u00e7\u00e3o, com seus corpos alvo de viol\u00eancia e exclus\u00e3o. Escutamos a luta das putas por reconhecimento profissional e seu rep\u00fadio \u00e0 explora\u00e7\u00e3o sexual infantil. A terr\u00edvel e end\u00eamica situa\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia sexual foi muito agravada na Pandemia escancarando a realidade de que o agressor \u00e9, na maioria das vezes, bastante familiar \u00e0s v\u00edtimas. Tivemos a coragem de sustentar que a defesa pela legaliza\u00e7\u00e3o do aborto \u00e9 a defesa da vida contra a hipocrisia. Essa bandeira \u00e9 solid\u00e1ria \u00e0 luta contra a cultura do estupro que objetifica nossos corpos, transformando as v\u00edtimas em r\u00e9s na mesma propor\u00e7\u00e3o em que inocenta os agressores.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando chegamos em 100.000 mortos, enlutadas, escutamos as mulheres da \u00e1rea da sa\u00fade lutando contra a Pandemia e suas sequelas e indefini\u00e7\u00f5es. Recebemos mulheres cientistas, \u00e1rea desprezada e negligenciada pelo atual governo negacionista e destacamos a import\u00e2ncia da interdisciplinaridade para combater a Pandemia. As mulheres na m\u00eddia trouxeram a relev\u00e2ncia de uma imprensa livre e cr\u00edtica para a sustenta\u00e7\u00e3o da democracia, sobretudo na era das fakenews e do capitalismo de vigil\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres do MST nos mostraram a garra das camponesas e a import\u00e2ncia da seguran\u00e7a alimentar e do direito \u00e0 terra. As mulheres na pol\u00edtica destacaram \u2013 e seu alerta ficou ainda mais importante ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es municipais \u2013 o quanto \u00e9 fundamental que possamos ocupar fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas para defender nossos direitos. O mesmo recado foi dado pelas incr\u00edveis mulheres que passam a vida a defender os direitos humanos, bem como pelas pioneiras do feminismo no Brasil que tivemos a honra de receber. O cuidado com a terra e com a vida passa tamb\u00e9m pelos direitos reprodutivos. Foi emocionante escutar as mulheres que gestaram e pariram durante a Pandemia, testemunhando mais uma vez o quanto essa situa\u00e7\u00e3o excepcional sublinha viol\u00eancias e injusti\u00e7as j\u00e1 consolidadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas de voc\u00eas alertaram para o fato de que, muitas vezes, o amor \u00e9 usado como \u00e1libi para nos explorar e submeter. Precisamos com urg\u00eancia rever nossos conceitos sobre amor, dedica\u00e7\u00e3o e doa\u00e7\u00e3o e \u00e9 igualmente urgente incluir os homens nesse debate. Somos t\u00e3o diferentes, d\u00edspares, por vezes dispersas, mas unidas pela luta contra o machismo estrutural, que sequestra nossos corpos e por vezes nos mata, mas n\u00e3o cala nossa alegria e nossa voz. De m\u00e3os dadas com essas mulheres, e tantas outras, somos m\u00e3es, irm\u00e3s e filhas na Pandemia, testemunhando com nossos corpos \u201cessa estranha mania de ter f\u00e9 na vida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalizo essa carta agradecendo por tudo o que aprendi com voc\u00eas, o quanto foi importante, reconhecendo nossa diversidade e, principalmente os privil\u00e9gios de algumas de n\u00f3s, sentir que n\u00e3o estamos t\u00e3o s\u00f3s. Com voc\u00eas aprendi, sobretudo, que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel hierarquizar sofrimentos, que dores e lutas n\u00e3o se medem, que servid\u00e3o volunt\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 amor, e que o machismo \u2013 e toda a viol\u00eancia e desigualdade trazidas em seu bojo \u2013 \u00e9 um mal a ser combatido a cada minuto, come\u00e7ando dentro de n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Ana Laura Prates \u00e9 psicanalista, Escritora e Editora. Doutora pelo IPUSP. P\u00f3s-doutorado na UERJ. Pesquisadora convidada do LABEURB \/ UNICAMP. AME da Escola de Psican\u00e1lise dos F\u00f3runs do Campo Lacaniano \u2013 FCL-SP. Autora, dentre outros, de \u201cFeminilidade e experi\u00eancia Psicanal\u00edtica\u201d, \u201cDa fantasia de inf\u00e2ncia ao infantil na fantasia\u201d e \u201cLa letra: de la carta al nudo\u201d. Colunista do Jornal GGN.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Laura Prates Publicado originalmente em https:\/\/jornalggn.com.br\/artigos\/carta-para-as-mulheres-na-pandemia-por-ana-laura-prates\/ Caras mulheres na Pandemia, Os&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":146,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-145","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=145"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":147,"href":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145\/revisions\/147"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/146"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=145"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=145"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=145"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}