{"id":177,"date":"2021-03-19T13:03:33","date_gmt":"2021-03-19T16:03:33","guid":{"rendered":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/?p=177"},"modified":"2021-03-19T13:03:34","modified_gmt":"2021-03-19T16:03:34","slug":"digam-o-gosto-pra-mim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/2021\/03\/19\/digam-o-gosto-pra-mim\/","title":{"rendered":"Digam o gosto pra mim"},"content":{"rendered":"\n<p>Ana Laura Prates<\/p>\n\n\n\n<p>Publicado originalmente em https:\/\/jornalggn.com.br\/cronica\/digam-o-gosto-pra-mim-por-ana-laura-prates\/<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(escrito em 2016)<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quero lhe falar das coisas que aprendi nos discos. Eu tinha por volta de 14 anos, e estudava em uma escola p\u00fablica \u2013 a Escola Estadual Bento de Abreu, conhecida como EEBA, no interior de S\u00e3o Paulo. Era boa aluna, afinal, j\u00e1 havia a cara amarrada, a falta de abra\u00e7o, a falta de espa\u00e7o, a falta de ar, que sufoco louco; s\u00f3 faltava ainda por cima, dar problema na escola. Para ser mais exata, estou quase certa que minha m\u00e3e s\u00f3 foi chamada na escola duas vezes. Na primeira, a diretora perguntou se ela sabia que eu militava em uma organiza\u00e7\u00e3o secundarista clandestina. Sim, respondeu. Est\u00e1vamos em plena ditadura, eles haviam vencido, e o sinal estava fechado pra n\u00f3s que \u00e9ramos jovens, \u00e9ramos os filhos da revolu\u00e7\u00e3o, digo, do golpe; \u00e9ramos burgueses sem religi\u00e3o, o futuro da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda vez, essa que vou contar, a diretora preveniu que eu estava andando com maconheiro; maconheiro aqui n\u00e3o era nome comum, mas tinha nome pr\u00f3prio. O dito maconheiro em quest\u00e3o n\u00e3o estudava nessa escola, mas aparecia sempre na hora da sa\u00edda, para conversar com a gente, pontual e veloz em sua&nbsp;<em>mobilete<\/em>. Ele era a paix\u00e3o de uma das minhas melhores amigas, a mais descolada, mas a primeira vez que nos falamos foi durante um assim chamado, salvo trai\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, \u201cFestival da primavera\u201d. Era uma grande festa interiorana do esporte juvenil, e pra n\u00e3o dizer que n\u00e3o falei das flores, era uma festa repleta de bot\u00f5es que um dia iriam florescer no ver\u00e3o, mas que brotavam agora, na primavera da vida. As finais dos jogos ocorriam no EEBA porque l\u00e1 havia um minigin\u00e1sio de esportes chamado pela contradit\u00f3ria alcunha de \u201cGigantinho\u201d, em homenagem diminutiva ao gin\u00e1sio oficial da cidade que respondia pelo apelido pleon\u00e1stico de \u201cGigant\u00e3o\u201d. Est\u00e1vamos l\u00e1, em uma dessas tardes quentes de jogos primaveris, afinal aquela cidade era a morada do sol, quando o dito maconheiro, que eu j\u00e1 sabia quem era porque viv\u00edamos em uma cidade do interior onde todo mundo conhece todo mundo; exceto a mim, que eu achava que ningu\u00e9m conhecia, por me considerar sem gra\u00e7a e invis\u00edvel; mas como eu dizia, est\u00e1vamos l\u00e1 quando o dito maconheiro se aproximou com um sorriso enorme e disse: \u201cOi, eu te ouvi cantar no festival. Voc\u00ea canta muito bem. Meu nome \u00e9 Hugo. Voc\u00ea \u00e9 a Ana Laura, n\u00e9?!\u201d O festival em quest\u00e3o era outro, n\u00e3o esse, sem trai\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, \u201cFestival da primavera\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O festival a que ele se referia era um festival de m\u00fasica brasileira. Aqui a mem\u00f3ria me trai, pois nem remotamente lembro o nome do festival de m\u00fasica do qual eu havia participado m\u00eas passado ao festival da primavera, que acontecia quando entrava setembro; isso eu me lembro, tamb\u00e9m pudera! O porqu\u00ea de lembrar perfeitamente o nome do festival de esportes, do qual eu n\u00e3o passava de membro da torcida, e n\u00e3o lembrar o nome do festival no qual eu cantara bem, segundo Hugo acaba de me contar, \u00e9 um desses mist\u00e9rios entre o c\u00e9u e a terra, imposs\u00edvel de ser alcan\u00e7ado por nossa v\u00e3 filosofia. Lembro bem do festival Gota d\u2019\u00e1gua, que aconteceu no EEBA, no qual n\u00e3o cantei, nem bem nem mal, pois ainda era uma menininha. Agora, em agosto de 1981, eu era uma meninona, e havia participado de um festival de m\u00fasica do qual n\u00e3o lembro o nome. &nbsp;O Hugo, dito pela diretora o maconheiro, com quem em breve eu passaria a \u201candar\u201d, era, eu bem sabia, o Hugo Prata, um Hugo que por duas letras poderia ser meu parente, mas n\u00e3o era; eu j\u00e1 o conhecia de vista, porque naquele tempo, naquela morada do sol, todo mundo conhecia todo mundo, mesmo a mim, sem gra\u00e7a e invis\u00edvel, mas que pelo visto, ouvido e comentado, cantava bem. Depois disso, nos poucos anos que se seguiram, como sempre acontecia com os adolescentes de uma cidade do interior no in\u00edcio dos anos oitenta, nos encontr\u00e1vamos sempre por acaso, no centro, nos barzinhos, mas principalmente nas pra\u00e7as, onde toc\u00e1vamos viol\u00e3o e beb\u00edamos vinho Chapinha \u2013 o \u00fanico condizente com nossas bolsas de couro e com nossas alpargatas. Ignor\u00e1vamos solenemente o conselho de n\u00e3o andar nos bares, esquecer os amigos, n\u00e3o andar nas pra\u00e7as, n\u00e3o correr perigos. Sim, a diretora tinha raz\u00e3o, tamb\u00e9m fum\u00e1vamos maconha, \u00e9 claro. Mas n\u00e3o sei por que a diretora o teria batizado, ao Hugo, de o maconheiro com quem eu estava andando, j\u00e1 que o que n\u00e3o faltavam na escola eram maconheiros com quem eu andava e cantava. Talvez porque fosse considerado forasteiro, assim como eu tamb\u00e9m me sentia naquela cidade, tanto que do mesmo jeito que veio se foi um pouco antes de mim, que fui logo depois, sozinha pra capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa seria apenas uma singela hist\u00f3ria de adolescentes vis\u00edveis e invis\u00edveis do interior de S\u00e3o Paulo, no in\u00edcio dos anos oitenta; n\u00e3o fosse o fato de que era o in\u00edcio dos anos oitenta, s\u00e9culo XX, no interior de S\u00e3o Paulo, Brasil, e de que os dias eram assim, com tantos perigos, com falta de abrigos, com falta de escolhas e falta de ar. N\u00e3o pod\u00edamos p\u00f4r o dedo na nossa ferida, encost\u00e1vamos a porta, pois nossa conversa n\u00e3o podia vazar, mas mesmo assim faz\u00edamos a hora, n\u00e3o esper\u00e1vamos acontecer. Eram dias densos, tensos, com uma consist\u00eancia invis\u00edvel que, entretanto, podia ser cortada com uma faca, se faca amolada tiv\u00e9ssemos. N\u00e3o t\u00ednhamos facas, muito menos amoladas, n\u00e3o \u00e9ramos assim t\u00e3o rebeldes, nem tampouco t\u00e3o maconheiros. Mas t\u00ednhamos o brilho cego de paix\u00e3o e f\u00e9, e mais do que qualquer outra coisa, t\u00ednhamos a m\u00fasica, e enquanto houvesse espa\u00e7o, tempo, corpo e algum modo de dizer n\u00e3o, n\u00f3s cant\u00e1vamos. And\u00e1vamos uns com ou outros assim, caminhando e cantando e seguindo a can\u00e7\u00e3o, nas escolas, nas ruas, campos, constru\u00e7\u00f5es. Nos festivais, em casa, nas pra\u00e7as, nos bosques de eucalipto e nas cachoeiras onde \u00edamos ver o p\u00f4r-do-sol que sempre renovava e brilhava de novo nosso sorriso. A m\u00fasica transbordava, abundava, escorria, inundava nossas almas adolescentes, dando contorno e orienta\u00e7\u00e3o para nossa ang\u00fastia e nosso medo. Sab\u00edamos que viver era melhor que sonhar, mas sab\u00edamos, igualmente, que qualquer canto era melhor do que a vida de qualquer pessoa. Ent\u00e3o, cant\u00e1vamos: Tom, Edu, Francis, Vin\u00edcius, Nara, Chico, Caetano, Gil, Gal, Beth\u00e2nia, Milton, L\u00f4, Luis Melodia, Ivan Lins, Belchior, Jo\u00e3o Bosco, e tantos outros e outras. Nossos \u00eddolos ainda eram os mesmos e n\u00e3o mais nos deix\u00e1vamos enganar pelas apar\u00eancias, embora us\u00e1ssemos velhas roupas coloridas que n\u00e3o nos serviam mais. Cazuza, Renato, Herbert e Arnaldo ainda eram jovens adolescentes como n\u00f3s, errando nas guitarras os acordes das can\u00e7\u00f5es dos nossos mesmos \u00eddolos; mas j\u00e1 ensaiando a nova mudan\u00e7a que em breve iria acontecer. Em um dia que n\u00e3o estava longe, viver\u00edamos em son\u00edferas ilhas; exagerados, conclamar\u00edamos o quanto \u00e9ramos legais e t\u00ednhamos cora\u00e7\u00e3o por tr\u00e1s de nossas lentes, pedir\u00edamos aten\u00e7\u00e3o por sermos maiores abandonados, interessados por mentiras sinceras, e nossa gera\u00e7\u00e3o seria doravante chamada, justa ou injustamente, n\u00e3o de gera\u00e7\u00e3o chapinha, ou de gera\u00e7\u00e3o maconheira, mas de gera\u00e7\u00e3o Coca-Cola.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio dos anos 80, ainda n\u00e3o sent\u00edamos nem v\u00edamos nada disso, nossos her\u00f3is, pelo menos os nacionais, ainda n\u00e3o tinham morrido de overdose, embora nossos inimigos estivessem no poder desde que nos conhec\u00edamos por gente. No in\u00edcio dos anos 80, n\u00f3s, menininhas e meninonas, gigantinhos e gigant\u00f5es, \u00e9ramos velhos, cambaleantes e escondidos, \u00e9ramos os mesmos e viv\u00edamos como nossos pais e ainda precis\u00e1vamos todos rejuvenescer; apesar de nossa apar\u00eancia enganosa de bot\u00f5es primaveris, principalmente quando entrava setembro. Cant\u00e1vamos e dan\u00e7\u00e1vamos na corda bamba de sombrinha, e em cada passo dessa linha pod\u00edamos nos machucar, nesse circo m\u00edstico prec\u00e1rio e contradit\u00f3rio, onde conviviam de modo tenso e cruel mem\u00f3ria, censura, rebeldia, repress\u00e3o, milit\u00e2ncia, calor, clandestinidade, exposi\u00e7\u00e3o, corpo jovem, filosofia v\u00e3, maconha, chapinha, mobilete, paralisia, esporte, m\u00fasica, Nara, Beth\u00e2nia, banquinho, viol\u00e3o, guitarra, prates, pratas, antes, depois, p\u00f4r-do-sol, arco-\u00edris cor de sangue, juventude transviada e finalmente, o aux\u00edlio luxuoso de um pandeiro. Naqueles dias, que eram assim, havia uma esperan\u00e7a equilibrista encarnada na voz de uma mulher, que merecia viver e amar como outra qualquer do planeta. Essa mulher era chamada Elis. Elis Regina.<\/p>\n\n\n\n<p>Elis era jovem velha, giganta meninona. Transviada e luxuosa. Falava com marcianos, avisando que pra variar est\u00e1vamos em guerra. Cantava a separa\u00e7\u00e3o melanc\u00f3lica de nossos pais, no tapete, atr\u00e1s da porta, murmurando baixinho. Sensual, ficava louca quando desapareciam as palavras e outros sons enchiam os espa\u00e7os. Ouvindo Ma\u00edsa, nosso mundo ca\u00eda, ouvindo Nara, recuper\u00e1vamos nossa opini\u00e3o, ouvindo Rita, faz\u00edamos amor por telepatia, ouvindo Beth\u00e2nia eco\u00e1vamos nosso grito de alerta, ouvindo Gal, nos faltava um peda\u00e7o, mas logo nos redim\u00edamos na alegre festa do interior. Mas com Elis, \u00e9ramos arrastados, upa, pra l\u00e1 e pra c\u00e1; \u00e9ramos arrasados, atravessados, revistados e revirados do avesso; viv\u00edamos e aprend\u00edamos a jogar, sent\u00edamos na pele as \u00e1guas de mar\u00e7o fechando o ver\u00e3o, mesmo que estiv\u00e9ssemos em pleno festival da primavera, em setembro. Elis cantava as coisas que a gente se esquecia de dizer, dando voz e destino ao nosso desespero. Elis, que chamava meu pai de Julinho, quando eram amigos no beco das garrafas, e que tinha usado sua cal\u00e7a emprestada no comercial de carpete; essa Elis, a amiga do Julinho, ainda tinha o m\u00e9rito de, com sua voz, trazer meu pai um pouco mais perto de mim, pelas hist\u00f3rias com cheiro de ci\u00fame envelhecido que minha m\u00e3e contava, num tempo em que, os dias eram assim, e ele se metia com garrafas nos becos da vida. Com Elis sab\u00edamos que, se quis\u00e9ssemos falar com deus, t\u00ednhamos que ficar a s\u00f3s e apagar a luz; com Elis, t\u00e3o novos, j\u00e1 sab\u00edamos que a estrada no final ia dar em nada do que pens\u00e1vamos encontrar, e que um dia, o sol ia pegar o trem azul. Um dia Elis pegou o trem azul, e partiu num rabo de foguete. Chorou a nossa p\u00e1tria m\u00e3e gentil, choraram marias ritas, jo\u00e3os marcelos, pedros, anas e hugos.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi em janeiro de 1982. Poucos anos depois, nunca mais falei com Hugo Prata. Reencontrei a ambos, juntos, no s\u00e9culo XXI, 2016, Brasil, S\u00e3o Paulo, s\u00f3 podia ser aqui, nessa outra morada. Elis \u2013 o filme de Hugo Prata \u2013 dizia o cartaz. Quantos setembros entraram trazendo a boa nova, desde ent\u00e3o; e \u00e1guas de mar\u00e7o, quantas fecharam tantos ver\u00f5es; e outros outubros vir\u00e3o, outras manh\u00e3s, plenas de sol e de luz. Eu estava com medo, muito medo do que iria encontrar; medo de n\u00e3o gostar, medo de sentir o cruel constrangimento dos reencontros decepcionantes, breves e definitivos; medo que foi, no entanto, se dissipando suavemente, e se transformando em j\u00fabilo logo nas primeiras cenas, com a presen\u00e7a de uma Elis viva de alma, no corpo e na voz que Andrea Horta lhe emprestou para faz\u00ea-la reviver para sempre na tela do cinema. Agora, ela era uma estrela. Agora, l\u00e1 estava eu, vidrada na tela, atenta a todos os detalhes de uma hist\u00f3ria que j\u00e1 conhecia de cabo a rabo, do fim ao come\u00e7o, nos m\u00ednimos detalhes, pois s\u00e3o coisas muito grandes pra esquecer.<\/p>\n\n\n\n<p>O que foi feito, amigo, de tudo que a gente sonhou? O que foi feito da vida? Da vida foi feito um bel\u00edssimo filme, no qual se l\u00ea uma narrativa c\u00eanica e dram\u00e1tica sens\u00edvel, po\u00e9tica, elegante, digna; digna talvez seja a palavra justa que ficou muito tempo por dizer, e que na can\u00e7\u00e3o do vento n\u00e3o se cansou de voar, e que agora pousou na arte de meu amigo adolescente Hugo Prata, que agora s\u00f3 conhe\u00e7o de vista, de revista, de tv, e agora de filme; esse Hugo que passou a limpo e&nbsp;cortou os la\u00e7os, soltou os cintos e fez a festa por mim; um festival da primavera e da can\u00e7\u00e3o, pois al\u00e9m da narrativa c\u00eanica e dram\u00e1tica, ouvi a voz de Elis cantando e contando sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. De modo incrivelmente justo, o filme \u00e9 testemunhal, passando a limpo uma hist\u00f3ria absurdamente \u00edntima, sem ser obscena, porque \u00e9 pol\u00edtica na mesma medida e intensidade. O testemunho paralelo \u00e0 narrativa acontece atrav\u00e9s das m\u00fasicas, que a pr\u00f3pria Elis escolhia para cantar, que Hugo recolheu como um florista, e que comp\u00f5em a trilha sonora de nossas vidas. Na cena final eu j\u00e1 n\u00e3o mais escondia minhas l\u00e1grimas, mas confessava a mim mesma minha ang\u00fastia, aos solu\u00e7os, ouvindo aos nossos filhos, agora que faz tempo que sou m\u00e3e, e que nossos filhos est\u00e3o na primavera da vida, e que de novo, os dias eram assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Elis, o filme lavou minha alma, minhas m\u00e1goas e meus olhos; e hoje sinto que quase sempre andei com as pessoas certas. Passei anos me debatendo no div\u00e3 com esse pedido de perd\u00e3o que atribu\u00eda aos dias tanta falta de escolha; afinal, quem em n\u00f3s escolhe? Ah, Elis menina, quero te contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo, quero te contar que voc\u00ea me ajudou a escolher a vida. Hoje andando ainda com Hugo Prata, viu Elis giganta, companheira e amiga, digo que n\u00e3o h\u00e1 o que perdoar, por isso mesmo \u00e9 que h\u00e1 de haver mais compaix\u00e3o. E agora que j\u00e1 colhemos os frutos, te digo: O gosto \u00e9 agridoce como a vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Laura Prates Publicado originalmente em https:\/\/jornalggn.com.br\/cronica\/digam-o-gosto-pra-mim-por-ana-laura-prates\/ (escrito em 2016) Quero lhe&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":178,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-177","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=177"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":179,"href":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177\/revisions\/179"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/178"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/larvatusprodeo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}