Descrição
O leitor não encontrará nestas páginas um conceito de liberdade, uma aplicação da psicanálise à filosofia ou uma filosofia psicanalítica, mas a delimitação perfeita das coordenadas em que a experiência psicanalítica requer subverter o problema da escolha. Já não se tratará de pensar quem escolhe nem tampouco se se trata de uma deliberação aristotélica; Lombardi também não pensa o ato em uma dimensão solene, mas sim através da cumplicidade do ser falante com o acaso. Este último será o ponto de chegada, interesse atual de um dos escritores mais lúcidos da psicanálise de nosso tempo. A partir do problema da liberdade, teremos chegado àquilo que representam as perguntas pelo trauma, pelo “tíquico”, pelas paixões etc.
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Tentarei mostrar que o caráter eletivo do ser falante não é somente uma aptidão prezada, essencial, mas que é nesse caráter que se sustenta sua própria existência. Não seríamos homens se fôssemos completamente dóceis, se alcançássemos a obediência da máquina. Mesmo quando simulamos sê-lo da maneira mais extrema, nos automatismos da loucura ou no estado muçulmano do homo sacer, talvez ainda sustentemos nosso ser em algum “não!” que afirmamos no próprio fato de calá-lo, de não intercambiar com esse homem, psiquiatra, psicólogo cognitivo-comportamental, patrão, neurobiologista ou nazista, que pretende adequação absoluta a um plano objetivante. O ser falante tem sempre a possibilidade de afirmar-se paradoxalmente no dilaceramento de seu ser moral ou na certeza de afastar-se do laço social.
Gabriel Lombardi







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