Descrição
Leitos do gozo, escrito a seis mãos – mas atravessado por uma rara unidade de estilo e de pensamento – recusa qualquer redução simplificadora entre desejo e gozo, entre sofrimento e cura, entre análise e normalização. Ao contrário, percorre, com rigor conceitual e sensibilidade clínica, as diferentes modulações do gozo em Freud e Lacan, interrogando os sulcos pelos quais a pulsão encontra passagem, se fixa, se repete, mas também pode se transformar. Há ainda, atravessando todo o livro, uma escrita de tonalidade poética que acompanha o próprio objeto de que trata. E gozamos com os duplos sentidos e tiradas chistosas que só surpreendem quem ainda não teve a sorte de conhecer os autores. Afinal, falar do gozo exige tocar aquilo que escapa ao sentido pleno, aquilo que insiste nas bordas da linguagem. Talvez por isso o livro encontre na imagem dos “leitos” uma metáfora tão fecunda: o gozo não é simplesmente eliminado ou dominado, mas conduzido, desviado, reinscrito, encontrando novos cursos possíveis.
Ana Laura Prates
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Que o gozo encontre seu leito, que o sujeito não se oponha a ele fracassada e reiteradamente, mas sim navegue por ele, “timoneando” com o saber sobre seu sintoma, lhe permite encontrar satisfações, sempre substitutivas, em seu percurso, constituindo a ética da psicanálise e colocando em evidência, uma vez mais, a pergunta: o que se espera da psicanálise hoje? Nos interessa o destino da psicanálise. Não somente como um discurso, mas também em sua aposta transformadora da subjetividade. Assim, à luz dos tempos que atravessamos e atravessados, por sua vez, pela época é que podemos nos perguntar, qual a eficácia da psicanálise hoje? Trata-se de uma pergunta política e também ética. Para poder respondê-la, será necessário realizar um percurso por três noções centrais da doutrina psicanalítica, a saber: o desejo, o gozo e o sintoma, três que se enodam, que são interdependentes e que não existem sem os outros.
Leitos do GOZO Matías Buttini, Fernando Martínez e Alejandro Rostagnotto
Matias Buttini – ME da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano; Polo Buenos Aires do Fórum Argentino do Campo Lacaniano. Docente e pesquisador da Universidade de Buenos Aires. Mora e exerce a Psicanálise em Buenos Aires, Argentina.
Fernando Martinez – AME da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano; Membro fundador do Polo Patagônia do Fórum Argentino do Campo Lacaniano. Mora e exerce a Psicanálise em Puerto Madryn, Argentina.
Alejandro Rostagnotto – AME da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano; Membro fundador do Polo Mediterrâneo do Fórum Argentino do Campo Lacaniano. Professor titular e Pesquisador da Faculdade de Psicologia da Universidade Nacional de Córdoba. Mora e exerce a Psicanálise em Córdoba, Argentina.







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